//Nota da Advocacia Garcez acerca do recurso apresentado pela Vale sobre indenização por cada trabalhador morto

Nota da Advocacia Garcez acerca do recurso apresentado pela Vale sobre indenização por cada trabalhador morto

Na noite desta segunda-feira, 05.07.21, a Vale apresentou recurso ordinário em face da decisão de 1a. instância que a condenou a pagar 1 milhão de reais por danos morais pelo sofrimento e pela morte de cada trabalhador direto da Vale que perdeu a vida de modo brutal em Brumadinho.
Representante do sindicato Metabase, a Advocacia Garcez se posicionou em nota repercutida pela imprensa, confira as matérias completas:
Folha de SP: Indenização de R$ 1 milhão por trabalhador morto em Brumadinho é ‘absurdo’, diz Vale
O Globo: Vale recorre de decisão que determinou 1 milhão por danos morais famílias de cada trabalhador morto em Brumadinho.
O Tempo: Vale considera ‘absurdo’ pagar R$ 1 milhão por trabalhador morto em Brumadinho
Terra: Vale recorre contra a decisão de pagar R$ 1 mi por cada trabalhador morto em Brumadinho
Extra: Vale recorre de decisão que determinou R$ 1 milhão de danos morais a famílias de cada trabalhador morto em Brumadinho

A nota na íntegra pode ser lida abaixo:

Na noite desta segunda-feira, 05.07.21, a Vale apresentou recurso ordinário em face da decisão de 1a. instância que a condenou a pagar 1 milhão de reais por danos morais pelo sofrimento e pela morte de cada trabalhador direto da Vale que perdeu a vida de modo brutal em Brumadinho.

Segundo Maximiliano Garcez, advogado do Sindicato Metabase Brumadinho, “o ato da empresa de recorrer de condenação em valor diminuto – especialmente se comparado com seus lucros – acerca de dano moral terrível sofrido pelos mortos, demonstra profunda insensibilidade. Mesmo após causar 272 mortes, a empresa continua com a mesma ganância, que gerou tanto sofrimento humano”

A sentença da juíza titular da 5ª Vara do Tribunal Regional do Trabalho de Betim, Viviane Célia Ferreira Ramos Correa, condenou a mineradora Vale a pagar indenização de R$ 1 milhão por danos morais por cada trabalhador morto no rompimento da Barragem do Córrego do Feijão, em Brumadinho.
O Sindicato Metabase Brumadinho, representado por Maximiliano Garcez (Advocacia Garcez) e Luciano Pereira, havia ajuizado Ação Coletiva de requerendo 3 milhões de reais por danos morais por cada trabalhador morto (distinto do dano moral sofrido pelos próprios familiares), e protestando contra acordo feito pela Vale com o Estado de Minas Gerais, sem qualquer destinação de valores a tal finalidade.
Tal dano moral causado a cada trabalhador morto se refere tanto pelo sofrimento por uma morte tão dolorosa, quanto por terem suas vidas ceifadas por várias décadas. Os valores serão recebidos pelo herdeiros dos trabalhadores mortos.

Segundo Maximiliano Garcez, “a Vale continua agindo de modo cruel e insensível quanto ao terrível sofrimento que causou aos trabalhadores mortos. Faz acordos multibilionários com o Estado de MG, tratando de questões sem relação com o sofrimento dos mortos, e destino zero centavos até o momento para tal dano. A indenização de significa apenas 9 horas do lucro atual da empresa, ou 4 minutos e 15 segundos por trabalhador.”

A Vale lucrou apenas no 1o. trimestre de 2021 30,5 bilhões de reais.

Tal valor, dividido por 90 dias, significa um lucro diário de mais de 338 milhões.

E, dividido por 24h, representa mais de 14 milhões de lucro por hora.

E por consequência representa mais de 235 mil reais de lucro por minuto, e 3.922 reais de lucro por segundo.

Ou seja: a Vale leva 255 segundos (4 minutos e 15 segundos) atualmente para lucrar 1 milhão de reais, valor previsto na sentença para cada trabalhador morto.

Ínfimas 9,7 horas de lucro da Vale seriam suficientes para indenizar os 137 milhões pelo valor previsto na sentença, a ser destinado a cada um dos 137 trabalhadores diretos da Vale mortos em 25.01.19 em Brumadinho, fruto da ganância desenfreada da empresa.

Advocacia Garcez
05.07.21
contato: advocacia@advocaciagarcez.com.br.